O Loucura da Cruz

Ele sempre foi esperado. Ele foi anunciado desde o princípio de tudo. Milhares aguardavam sua chegada dia e noite. Muitos do seu povo foram se perdendo no meio do caminho, mas sempre houve um remanescente fiel. Sempre existiram aqueles que não largaram a promessa. Muitos viveram pela fé num homem que ainda nem havia existido em carne e osso. Nem mesmo histórias eles tinham para crer ou lembrar, mas permaneceram. Foram salvos por algo que ainda iria acontecer no futuro, mostrando que nada dependia deles mesmo a respeito da salvação. Profecias, nada mais havia sobre aquele homem que viria. Muitos nem mesmo viram ele nascer. Mesmo assim muitos creram na loucura da cruz. No paradoxo da cruz.

Ele veio. Nasceu e habitou entre nós. O filho de Deus se fez homem e cumpriu as profecias. O esperado messias enfim chegou. Sabe o que aconteceu? O povo que sempre o esperou o rejeitou. Mas sempre existiu o remanescente. Alguns se juntaram a Ele, vindos de toda a parte. Muitos os chamavam de loucos, e eram mesmo. O esperado rei veio como servo. O esperado leão veio como cordeiro. O esperado trono era um cruz. Quem seguiria esse messias? Os loucos, aqueles que não tinham mais nenhuma esperança, os pecadores. Sim aqueles que sabem que nada podem fazer. Aqueles que sabem que dependem de Cristo para salvação. Sem trono, sem riquezas, sem castelos, sem espada, mesmo assim muito acreditaram na loucura do evangelho, na loucura da cruz.

O dia chegou, a morte estava por perto. Tudo parecia estar indo por água abaixo. As promessas pareciam ser mentira. Aquele Jesus parecia ser mais um charlatão. Mais ainda existiam loucos com ele. A grande loucura estava preste a começar. O paradoxo da cruz seria imenso. Jesus foi o homem que mais temeu a morte, mas foi também o mais corajoso a enfrentá-la. Foi o homem que sofreu a maior demonstração de ira enquanto demonstrava o maior gesto de amor.  A crueldade da cruz foi uma doçura da graça. O silêncio de Deus foi um brado de vitória. A escuridão sobre a terra foi um brilho poderoso da luz sobre as trevas. O Abandono do filho foi a adoção de outros muitos. Deus é tão poderoso e glorioso que foi capaz de vencer perdendo. Foi capaz de manifestar vida com a morte. Na cruz Jesus foi humilhado, para todo o sempre ser exaltado. Seu nome foi escarnecido, para hoje ser o nome acima de todos ou outros. Mesmo assim, com todo esse paradoxo, muitos loucos ainda acreditavam.

A ressurreição chegou. Jesus vive até hoje. O Espírito Santo habitou em nós, a Igreja foi constituída e o remanescente permaneceu. A loucura foi espalhada até hoje. Falando em loucura, é loucura mesmo pensar que essa história chegou até nós. Como foi possível? Porque sempre houve um louco para guardá-la e passá-lá adiante. Antes, muitos viviam a esperar. Acreditavam no futuro. Os loucos de hoje tem uma história. Acreditam no passado. O que importa é que acreditam no mesmo Jesus. No mesmo evangelho. O que importa é que a loucura continua viva. O paradoxo continua sendo paradoxo. A cruz continua sendo escândalo. E é assim que tem que ser, na contra mão, no paradoxo, causando impacto, sendo diferente. Se essa loucura e esses loucos sobreviveram até agora, talvez essa seja a loucura mais sábia de todas. Eu creio, sou louco…

“Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.”

1 Coríntios 1:18

Solus Christus, Soli deo Gloria!

Pedro Pamplona

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